Sugestões para o Halloween 2023 – Streaming.

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Como habitualmente, trago-vos as minhas sugestões para o Halloween 2023, disponíveis nas várias plataformas de streaming que frequento. Só que, este ano, além das habituais Netflix, HBO Max e Amazon Prime Video, junto a Disney + e o mais recente SkyShowtime. São, como é esperado, sugestões do género do terror, ou thrillers com emoções fortes, apropriados à época. Podem aceder às minhas sugestões de anos anteriores aqui, mas vamos às minhas recomendações para o Halloween 2023…

The Fall Of The House Of Usher

Sugestão Halloween 2023 - The Fall Of The House Of Usher - Poster

Não há sugestões de Halloween minhas que não tenham pelo menos uma série ou filme de Mike Flanagan. Neste caso, é a última serie do homem para a Netflix (o contrato acabou e Flanagan já assinou com a Amazon, não se sabendo para já, em concreto, qual o primeiro projecto nem data de estreia). Sobre “The Fall Of The House Of Usher” falarei detalhadamente em breve, mas deixo aqui algumas considerações para vos aguçar o apetite.

“The Fall Of The House Of Usher” é baseada na obra de Edgar Allan Poe, não apenas no conto homónimo que lhe dá título, mas em outros contos e poemas do autor, que vão dando título a cada um dos episódios, à semelhança do que tinha feito com a obra de Henry James em “The Haunting Of bly Manor“. Há aqui uma filigrana narrativa, muito característica na obra de Flanagan, que é fascinante e envolvente, que nos prende do primeiro ao último minuto e nos dá generosas doses de drama e horror de excelência.

Claro que com a irreprimível execução de Flanagan (que aqui partilha a realização com o seu habitual director de fotografia Michael Fimognari), restante equipa técnica e o seu habitual elenco de actores a que se juntam Mark Hamill e Mary McDonnell. “The Fall Of The House Of Usher” consegue ser o trabalho mais gore de Flanagan (sim, mais do que “Midnight Mass“), mas é cima de tudo uma inteligente trama dramática acerca da ascensão e queda de uma disfuncional família milionária.

Classificação: ★★★★

Link para “The Fall Of The House Of Usher” na Netflix.

Piranha 3D

Sugestão Halloween 2023 - Piranha 3D - Poster

Porque o Halloween 2023 também se presta à mistura do horror com a comédia e a irreverência, trago-vos agora um filme de Alexandre Aja, “Piranha 3D“. Aja é um repetente nas minhas recomendações, já vos trouxe um filme dele mais sério, “Crawl“, em 2021. Desta feita, o título é autoexplicativo, tem piranhas e é em 3D. Mas mais do que isso, tem Elizabeth Shue, paixão adolescente deste vosso criado, e cujo nome me transmite logo curiosidade para ver qualquer coisa em que entre. Neste caso, essa curiosidade revelou-se uma agradável surpresa.

“Piranha 3D” é puro divertimento, com momentos de tensão e horror bem esgalhados. Tem um surpreendente e eclético elenco, composto por (além de Shue) Richard Dreyfuss, Ving Rhames, Jerry O’Connell, Christopher Lloyd, Eli Roth e até a roliça pornstar Gianna Michaels, fazendo uma perninha (ou melhor, o corpo todo). Com uma premissa tão básica e pouco original (isto é um reboot com pretensão de ser franquia, arruinada pela sequela “Piranha 3DD“), o tom do filme e a competência técnica e artística dão uma abada a quem menosprezava o conceito à partida. Quem não o viu, arrisque, irá assustar-se e rir-se, de certeza.

Classificação: ★★½

Link para “Piranha 3D” na Netflix.

The Mist

Sugestão Halloween 2023 - The Mist - Poster

Terceira adaptação de Stephen King por Frank Darabont, “The Mist” é aquela que mais nos deixa marca, pelo seu desconcertante e corajoso final. Tão desconcertante que até King se lamentou por não ter sido ele a imaginá-lo. É obvio que não vou tecer mais considerações sobre o desfecho do filme, não lhes vou estragar a experiência, apenas lhes digo que o vão amar ou odiar, não há meio-termo.

Darabont é um exímio criador de ambientes e situações desconfortáveis para o espectador, mas aqui vai além de tudo o que esperamos. Dos monstros aterradores à religiosa fanática, tudo aqui assusta e nos deixa vulneráveis. O medo aqui é palpável, tanto nos monstros quanto nos humanos. E é essa dicotomia que torna o filme sustentável e tão envolvente.

Darabont gosta de utilizador os mesmos actores, e aparecem aqui caras que reconhecemos de outros seus projectos, como Laurie Holden, Jeffrey DeMunn e Melissa McBride (de “The Walking Dead“), ou William Sadler (de “The Shawshank Redemption“). Além deles, Toby Jones, Marcia Gay Harden e Andre Braugher têm sólidas prestações, mas é Thomas Jane que nos destrói no final. “The Mist” é um filme de terror com um tema banal, mas tem pedigree e uns testículos gigantescos, o que o torna obrigatório para os (corajosos) fãs do género.

Classificação: ★★★★½

Link para “The Mist” na Netflix. (disponível apenas até 7 de Novembro)

HBO Max Logo

Evil Dead Rise

Sugestão Halloween 2023 - Evil Dead Rise - Poster

O clássico do Terror criado por Sam Raimi em 1981 continua a ser inspiração para pesadelos gráficos verdadeiramente assustadores. Depois do reboot realizado por Fede Alvarez em 2013, Lee Cronin vem atormentar-nos agora com “Evil Dead Rise”. Raimi e a sua estrela, Bruce Campbell, continuam como produtores executivos, o que por si só não quereria dizer nada, mas nota-se a sua influência no resultado final.

À partida, o conceito de malta jovem às voltas com mortos possuídos por demónios já deu o que tinha a dar, mas Cronin consegue manter-nos na ponta da cadeira com situações aterradoras em ambientes claustrofóbicos, com personagens sólidos e um drama familiar relacionável como base. E depois há o terror puro e duro. E muito, muito gráfico, como aliás a franquia há muito nos habituou. A questão, que aqui é relevante, é que nada parece gratuito, sem que percebamos muito bem porquê. E isso torna a experiência do filme muito mais próxima e aterradora, e uma excelente sugestão para o Halloween 2023.

Classificação: ★★½

Link para “Evil Dead Rise” na HBO Max.

Gremlins

Sugestão Halloween 2023 - Gremlins - Poster

Depois do mais puro terror, um filme fofinho. “Gremlins” é um clássico e até fico surpreendido por não o ter recomendado antes, mas as gerações renovam-se e é sempre importante ir recomendando bom gosto. Assim, para o Halloween 2023 recomendo esta produção de Steven Spielberg e Kathleen Kennedy (sim, a que ajudou a destruir a saga “Star Wars“), realizado por Joe Dante (curiosamente o realizador do “Piranha” original, em 1978) e escrito por Chris Columbus (antes de “Home Alone” e “Harry Potter“).

Mesmo quem nunca viu o filme conhece a figura do Gizmo, o Mogwai fofinho, ou mesmo do Stripe, o líder dos Gremlins, ou até as três regras de segurança que devem ser seguidas e, obviamente, não são. “Gremlins é uma boa amostra do cinema dos anos 80: divertido, entusiasmante, inteligente, irreverente, que trata a inteligência do espectador com respeito. E tem coração, mesmo nos momentos mais negros, como aquele em que a personagem de Phoebe Cates explica porque não gosta do Natal.

Os efeitos práticos, na sua maioria, aguentam-se bem melhor do que muito CGI que se faz actualmente, o que lhe dá uma sensação de autenticidade que a maioria dos filmes actuais não tem. Ou seja, é um filme positivamente datado. Pena é que a sua sequela não está disponível em streaming por cá. Consegue ser um dos filmes mais perversos e hilariantes de sempre, e a sua backstory é fascinante. Contentemo-nos pois em (re)descobrir esta pérola, de quando se faziam blockbusters com respeito pelo dinheiro dos espectadores.

Classificação: ★★★★½

Link para “Gremlins” na HBO Max.

The Shining” / “Doctor Sleep

Sugestão Halloween 2023 - The Shinning / Doctor Sleep - Posters

Foi preciso chegar ao Halloween 2023 para “The Shining” aparecer numa lista minha. Isto choca-me mais a mim do que a vocês, provavelmente. Curiosamente, “Doctor Sleep” já tinha sido referenciado por mim na lista de 2019, ainda sem sequer o ter visto (é o que faz ser um fanático do Mike Flanagan). Ter os dois disponíveis num só serviço de streaming é pois uma boa oportunidade para sugerir uma grande (em todos os sentidos) sessão dupla.

Já toda a gente conhece ou ouviu falar do clássico de Stanley Kubrick, não há muito que eu possa acrescentar sobre o filme propriamente dito. As suas imagens icónicas já fazem parte da cultura popular há décadas. Toda a gente já viu o Danny a percorrer os corredores do Overlook Hotel no seu triciclo, ou a cara de Jack Nicholson a aparecer na porta aberta a golpes de machado, ou mesmo o tsunami de sangue a sair do elevador. Ou até as várias teorias à volta do filme e da rodagem, que implicam, entre outras coisas, que Kubrick fabricou as imagens que todos conhecemos da chegada do homem à lua.

Prefiro referir que a reação de Stephen King ao filme não foi a melhor, suscitando mesmo décadas de raiva e acusações sobre o quão pouco fiel ao livro é. Recentemente King chegou a admitir que o filme é uma obra prima, mas que não o reconhecia como seu, pois as questões essenciais que pretendia discutir estavam ausentes (o alcoolismo era um tema central no livro), assim como o arco narrativo da personagem de Nicholson. Kubrick apenas usou o ponto de partida e substituiu os temas importantes para King por aqueles que eram importantes para si, alterando muitos elementos narrativos, incluindo o final.

King chegou mesmo a escrever e produzir uma série de 3 episódios, realizada em 1997 por Mick Garris, de forma a preservar em imagem os elementos do livro. E depois escreveu “Doctor Sleep”, continuação do romance original, que invariavelmente suscitaria o interesse em adaptá-lo ao cinema por parte da Warner Brothers, detentora dos lucrativos direitos do original. Só que, como é que se faz uma sequela a um dos mais icónicos filmes de terror de sempre a partir de um livro que muito pouco tem a ver com ele? Chama-se um dos mais geniais realizadores do género, Mike Flanagan.

E é preciso perceber a tarefa que Flanagan tinha em mãos. Teria de convencer Stephen King a deixá-lo incorporar elementos do filme de Kubrick (que King continua a odiar) na estória do livro, fazendo a ponte em os dois meios que, narrativamente estavam muito distantes um do outro. Flanagan chamou a si a tarefa de corrigir o final de Kubrick, descartando o final de “Doctor Sleep”, o romance, substituindo-o pelo final original literário de “The Shining”. justificando assim a união dos dois universos e acabando por convencer King a fazê-lo.

O resultado é um fascinante filme de 3 horas (na versão do realizador), que funde na perfeição a criatividade de três génios. E é bom, muito bom. Quem conhece Flanagan sabe que o homem sabe contar estórias. O seu storytelling está muito próximo do de King (é talvez a sua maior influência), mas a forma como desenvolve narrativas, principalmente fundindo géneros, referências ou fontes, não tem igual actualmente.

“Doctor Sleep”, o filme, é envolvente, cativante e aterrador, assente em excelentes interpretações (incluindo alguns dos habituais colaboradores de Flanagan), uma cinematografia imaculada e uma direcção artística que recriou na perfeição os décors icónicos e sofisticados do filme de Kubrick. Ver os dois em conjunto é uma experiência fascinante porque não se nota uma quebra na narrativa (mesmo que a de Flanagan seja mais complexa do que a de Kubrick), até porque o segundo filme completa e fecha o primeiro.

Infelizmente, a versão disponível na HBO Max é a da exibição nos cinemas, com 2h25m, e não a versão do realizador de 3h, que é mais completa e ainda mais envolvente.

Classificação “The Shining”: ★★★★½

Classificação “Doctor Sleep”: ★★★★½

Link para “The Shining” na HBO Max.

Link para “Doctor Sleep” na HBO Max.

Halloween” (1978)

Sugestão Halloween 2023 - Halloween - Poster

Acabadinho de fazer 45 anos (a 25 de Outubro), “Halloween” é o filme que consolidou o género slasher movie em 1978. Sim, Hitchcock já tinha feito “Psycho” em 1960, “The Texas Chainsaw Massacre” é de 1972, e muitos outros filmes tentaram abordar o género, quase todos considerados exploitation e produtos menores. Mas foi John Carpenter que provou que se podia fazer terror consistente de baixo orçamento, com criatividade e qualidade. E, sobretudo, com verosimilhança.

Carpenter trouxe o terror para nossa vizinhança, para a casa do lado, para os nossos quintais. E para a nossa família. Tocou nos nossos medos, e fê-lo de uma forma muito próxima e realista. Invadiu uma das festividades americanas mais populares para todas as idades, e criou ameaças a partir de comportamentos e reacções que são as de todos nós. Mas, sobretudo, humanizou o terror desconstruindo-o. “A forma” é o nome como a personagem de Michael Myers aparece nos créditos finais do filme, mas toda a gente sabe e reconhece o seu nome, porque essa ameaça poderia ser uma pessoa muito próxima de nós, ou até nós próprios. A proximidade foi o que lhe deu verosimilhança.

E foi a partir daqui que os assassinos nos slashers ganharam identidade. Ninguém se lembra dos nomes dos assassinos de “The Texas Chainsaw Massacre”, Leatherface é uma característica mais do que uma identidade. Norman Bates estava fora do género, pelo status, personalidade e popularidade de Hitchcock, só sendo associado ao género, como seu precursor, mais tarde. Mas depois de “Halloween” vieram Jason Vorhees, Freddy Krueger e tantos outros a seguirem o exemplo de Myers, sendo hoje considerados os maiores ícones do cinema de terror.

Mas Carpenter inovou também pelo bom gosto imprimido ao género. A fotografia de Dean Cundey é primorosa e acentua a ameaça, assim como a banda sonora cadenciada e quase minimalista do próprio Carpenter. E se há aqui jump scares, o verdadeiro terror está na sugestão, na antecipação, na lição aprendida de Hitchcock de que o espectador deve saber mais do que os intervenientes na narrativa.

“Halloween” tem brio, personalidade e integridade artística, o que os destaca dos restantes filmes do género, que lhe tentaram copiar estas características inimitáveis. Mais do que cair na facilidade do nome, é importância do filme dentro do género, remodelando-o, que merece o seu destaque nas minhas sugestões para o Halloween 2023.

Classificação: ★★★★

Link para “Halloween” na Prime Video.

Barbarian

Sugestão Halloween 2023 - Barbarian - Poster

“Barbarian” é um dos filmes mais recentes nesta lista de recomendações para o Halloween 2023, mas é também um dos mais intensos. Tem como trunfo partir de uma premissa simples, uma aparente confusão com uma reserva no Airbnb (contemporaneidade relacionável), para escalar rapidamente para um terror imersivo e claustrofóbico, herdeiro de referências e memórias foscas de tantos filmes do género, com a particularidade de ser agressivamente honesto.

Realizado com competência por um estreante no género, tem os nomes de Bill Skarsgård e Justin Long como cartão de visita. Mas é no seu violento pragmatismo que “Barbarian” ganha pontos. O filme não esconde ao que vai e quando lá chega não poupa emocionalmente o espectador. É brutal (no real sentido do termo), mas imaginativo nas soluções narrativas já tantas vezes esmiuçadas. Consegue parecer original, mesmo quando não o é, e isso, só por si, justifica a sua inclusão nesta lista.

Classificação: ★★

Link para “Barbarian” na Prime Video.

Invasion Of The Body Snatchers” (1978)

Sugestão Halloween 2023 - Invasion Of The Body Snatchers - Poster

Mais um grande clássico para o vosso Halloween 2023, “Invasion Of The Body Snatchers” é um dos mais aclamados alien invasion movies da história do cinema, talvez só superado por “John Carpenter’s The Thing” (e é curioso que ambos sejam remakes de filmes dos anos 50). Realizado por Philip Kaufman, conta com Donald Sutherland, Brooke Adams, Leonard Nimoy e um muito jovem Jeff Goldblum nos principais papéis. À semelhança de “The Thing”, o tema principal é a paranoia provocada por formas alienígenas que matam os humanos e os substituem por copias perfeitas. Mas aqui, em vez de um local isolado e contido (pelo menos geograficamente), toda a humanidade está à mercê dos ‘violadores espaciais’.

Como todos os grandes clássicos, “Invasion Of The Body Snatchers” está alicerçado naquilo que influencia a condição humana. Neste caso, a identidade, o instinto de sobrevivência, o individualismo, as relações humanas e sociais e o medo. Só medo, puro e duro, que é transmitido de forma pragmática e objectiva ao espectador tornando-o mais uma personagem do filme. Com esta aproximação, a narrativa envolve-nos, tal como os invasores envolvem as suas presas. Kaufman criou uma obra de referência que, sendo um remake, originou outros remakes, sendo que o meu preferido é “Body Snatchers” de Abel Ferrara, de 1993 (infelizmente, um filme esquecido que não está disponível em nenhum serviço de streaming em Portugal).

Classificação: ★★★★½

Link para “Invasion Of The Body Snatchers” na Prime Video.

Dawn Of The Dead” (2004)

Sugestão Halloween 2023 - Dawn Of The Dead - Poster

Para o Halloween 2023, não poderia faltar um bom filme de zombies para molhar o pãozinho. A minha escolha recaiu sobre “Dawn Of The Dead”, o remake de Zack Snyder da sequela de 1978 de “Night Of The Living Dead“, de George A. Romero. Sendo o filme de estreia do realizador, hoje um dos homens responsáveis pelas adaptações cinematográficas de heróis da DC Comics, foi escrito por James Gunn, realizador que entretanto saltitou entre os Universos da Marvel e da DC. O interessante em “Dawn Of The Dead” é que , apesar de estar longe dos universos dos super heróis, continha já algumas das características que fazem destes filmes um sucesso.

O remake de Snyder mantém a crítica social do original de Romero, e alguma da sua ironia, mas aliou-a a sequencias de acção mais ou menos elaboradas e com um sentido de humor mais vasto. Apesar disso, os elementos do género estão lá todos, o suspense e a tensão são palpáveis e a galeria de personagens é rica e servida por boas interpretações. No entanto, Snyder optou por tornar os zombies mais rápidos do que no original, para poder criar algumas boas sequências de acção ao seu estilo, como a inicial, provavelmente minha preferida em qualquer filme de zombies.

No geral, “Dawn Of The Dead” foi uma refrescante e imaginativa variação do género, e foi certamente um dos maiores responsáveis pela renovação da sua popularidade.

Classificação: ★★

Link para “Dawn Of The Dead” na Sky Showtime.

Knock at the Cabin

Sugestão Halloween 2023 - Knock at the Cabin - Poster

M. Night Shyamalan era, no inicio do século, um dos realizadores mais promissores e interessantes, muito por causa dos seus twists desafiadores e narrativas sólidas e enigmáticas. Vinha de uma sequência de quatro excelentes filmes, “The Sixth Sense“, “Unbreakable“, “Signs” e “The Village“, mas depois, inexplicavelmente, parece que a inspiração falhou, as narrativas tornaram-se forçadas e inverosímeis, e os seus twists finais obsoletos e involuntariamente cómicos. “Lady In The Water“, “The Happening“, “The Last Airbender” e “After Earth“, foram os quatro filmes seguintes que lhe afundaram a reputação e o prestígio.

Aventurou-se na televisão com “Wayward Pines“, sem impressionar e voltou ao cinema com mais quatro filmes que reavivaram, mais junto do público do que da crítica, alguma da excitação que o realizador costumava suscitar. Devo confessar que nenhum dos quatro, “The Visit“, “Split“, “Glass” e “Old“, me renovou a esperança em Shyamalan, apesar dos primeiros três terem alguns elementos interessantes, o quarto é mesmo o seu filme de que menos gosto. E depois chegamos a este “Knock at the Cabin”.

Apesar de algum hype quando estreou (à semelhança dos quatro filmes anteriores), depois de “Old” parti para este filme com cautela e pouco entusiamo. E, devo confessar, fiquei agradavelmente surpreendido. O primeiro e segundo actos de “Knock at the Cabin” está ao nível do melhor que Shyamalan já fez, no que diz respeito a criação de tensão, gestão da narrativa e subversão de expectativas. Tudo aqui é bem feito, bem interpretado e, apesar de apelar forte à suspensão da crescença por parte do espectador, verosímil.

O terceiro acto e a conclusão contínua a não estar à altura do melhor que Shyamalan já fez, mas, apesar de não inteiramente satisfatório, o desfecho não estraga o que aconteceu antes e é perfeitamente aceitável no seu contexto (ao contrário de filmes anteriores, em que esperávamos que fosse o final a salvar o resto). Ainda é cedo para afirmar que Shyamalan está a voltar ao caminho certo, mas “Knock at the Cabin” consegue reacender a esperança que muitos tínhamos no realizador, e é uma boa sugestão para o Halloween 2023.

Classificação: ★★½

Link para “Knock at the Cabin” na Sky Showtime.

Mama

Sugestão Halloween 2023 - Mama - Poster

10 anos depois de vencer o Fantasporto, “Mama” chega às minhas sugestões para o Halloween 2023. Não me vou alongar muito, porque já falei dele em pormenor aqui, aquando da sua passagem pelo Fantas. Esta produção de Guillermo Del Toro, foi a primeira longa-metragem de Andy Muschietti, realizador de “It” e “Flash“, e continua a ser o meu filme preferido dele. É-o pelo tom dramático, pelo ritmo narrativo, pela construção dos personagens e pelo corajoso final.

Como já tinha dito na minha crítica anterior, o único problema do filme é o uso (desnecessário) de CGI no terceiro acto. Tudo o resto funciona e é primorosamente executado, estética e emocionalmente. Jessica Chastain e Nikolaj Coster-Waldau justificam o protagonismo, mas são Megan Charpentier e Isabelle Nélisse que nos prendem a atenção do principio ao fim. “Mama” é assustador e terno ao mesmo tempo, mas é sobretudo um excelente drama sobrenatural, que se enquadra perfeitamente no vosso Halloween 2023.

Classificação: ★★★★½

Link para “Mama” na Sky Showtime.

The Strain

Sugestão Halloween 2023 - The Strain - Poster

Saltamos de plataforma de streaming, mas continuamos com Guillermo Del Toro, neste Halloween 2023. “The Strain” é uma série televisiva de 2014 baseada numa serie de 3 romances de Del Toro e Chuck Hogan, com um tema que o realizador já tinha abordado em “Blade II“, os vampiros. Antes de mais, tenho de referir que li os livros (editados em Portugal pela SUMA de letras), antes da série sair, e fiquei espantado pela primorosa narrativa, muito bem delineada em termos de suspense e construção de personagens e acontecimentos.

Quando a série saiu (estreou na Fox no inicio de 2015), a minha expectativa era ver o quão fiel aos romances o tom e ambiente da série seriam e, nesse aspecto, Del Toro não desiludiu (as minhas primeiras impressões sobre a adaptação estão expressas aqui). O grande problema que eu tive desde o inicio foi a mudança de formato. Traduzindo o romance para TV, houve que reordenar os acontecimentos do livro para encaixarem nos vários episódios, de maneira a que terminassem sempre com um gancho narrativo que nos faria querer ver o episódio seguinte.

Mas aquela narrativa imaculada do livro de repente desorganizou-se, e perdeu até algum do enervante suspense do original. Só que, para quem não leu os livros, isso não interessa nada. “The Strain” é Del Toro puro, no desenho dos vampiros (decalcados do “Blade II”), na construção narrativa, na atenção ao detalhe e no terror primorosamente executado. Tem um magnífico elenco encabeçado por Corey Stoll, David Bradley, Kevin Durand, Richard Sammel, Ruta Gedmintas e Sean Astin.

A espaços, a série tem mesmo alguns dos melhores momentos já arquitectados por Del Toro, o que não é dizer pouco. Mas é dos poucos casos em que o formato televisivo prejudica o resultado final, pela extensão desigual da narrativa, que prejudicam a sua homogeneidade. Não deixa de ser uma série acima da média, de um realizador com um estilo e uma visão únicos, e uma excelente opção para este Halloween 2023.

Classificação: ★★½

Link para “The Strain” na Disney +.

Edward Scissorhands

Sugestão Halloween 2023 - Edward Scissorhands - Poster

Ninguém personifica melhor o Halloween do que Tim Burton. O seu imaginário gótico e inadaptado deu-nos inúmeras fantasias obscuras e emocionais que se enquadram perfeitamente no espirito da época. Para o Halloween 2023, escolhi um dos meus filmes preferidos de Burton, “Edward Scissorhands”. À primeira vista, a escolha pode ser demasiado óbvia, mas o filme é de 1990, e seguiu-se a um dos maiores sucessos de bilheteira da sua carreira, “Batman“. E, se Burton conseguiu imprimir ao cavaleiro das trevas o seu cunho pessoal, a mudança de tom para a estória de amor entre uma criatura inacabada e inadaptada e uma adolescente, não caiu bem no goto do público.

Injustiças à parte, “Edward Scissorhands” é um filme belíssimo e terno, assustador a espaços, mas que evidencia na perfeição o coração puro mas obscuro do realizador. Aqui nasceu a continuada colaboração com o seu actor fetiche, Johnny Depp, e terminou a colaboração com um dos seus maiores ídolos e influências, Vincent Price (no final deste artigo, colocarei o primeiro filme do realizador narrado por Price). Depp mostra aqui uma vulnerabilidade que só atinge nas colaborações com Burton (“Sleepy Hollow” vem-me logo à cabeça), e na partilha de referências gráficas e emocionais obscuras.

Só que Burton pega nestas referências e dá-lhes contraste, com cores e tons narrativos felizes, antes de mergulhar novamente nas trevas que tão bem conhece. “Edward Scissorhands” é, por isso e acima de tudo, uma carta de amor aos inadaptados, aos injustiçados e aos marginalizados. É uma estória de amor infeliz mas esperançosa (novamente a dualidade), em que prevalece o seu sentido de humor peculiar e honesto, quase infantil, e a sua atração pelas belezas obscuras. “Edward Scissorhands” é, por isso, uma obra-prima melancólica, mas reconfortante.

Classificação: ★★★★

Link para “Edward Scissorhands” na Disney +.

The Fly

Sugestão Halloween 2023 - The Fly - Poster

Antes de mais, “The Fly” é um dos filmes da minha vida. Apareceu-me numa altura de descoberta pessoal, de assimilação de referências, de aquisição de gostos, da descoberta do amor na adolescência. Quando estreou, em 1986, eu já era um fã de cinema de terror, já tinha visto “John Carpenter’s The Thing” ou “American Werewolf in London“, com as suas transformações grotescas e sustos usuais. Era isso que eu esperava quando fui ao cinema ver o filme de David Cronenberg.

Só que não. “The Fly” tem muitos desses elementos, mas é sobretudo uma estória de amor trágica e visceral. Para um adolescente que ia ver mais um filme de terror, o facto de ter saído de lá a pensar no que tinha visto, na perturbação de não ter ainda ainda percebido que o horror podia ser também profundo e humano, que podia vir de dentro e destruir tudo o que nos rodeia. Mas, sobretudo, descobri o papel do realizador num filme, a forma como a sua personalidade influencia o resultado, metamorfoseando géneros e referências, transcendendo-as. “The Fly” foi o meu ‘epiphany movie‘.

Foi aqui que percebi que um filme de Hitchcock é diferente de um filme de Scorsese ou de Spielberg, nomes que tão bem conhecia, mas não sabia o que significavam. Sim, “The Fly” é um filme de terror e tem todos os elementos do género. Foi aqui que descobri o body horror, apesar de já ter muitas transformações como as que descrevi acima. Os efeitos práticos de Chris Wallas (que lhe valeram o óscar) são do melhor que já se fizeram, desde sempre, porque a sua monstruosidade não oculta o olhar frágil do magnífico Jeff Goldblum. Há uma humanidade que torna tudo o resto ainda mais aterrador.

A transformação final, o tresloucado instinto de sobrevivência e o sacrifício maior que o amor muitas vezes implica ficaram em mim até hoje e ajudaram seguramente a moldar parte da minha personalidade. Mais o que falar das brilhantes interpretações de Goldblum, Genna Davis e John Getz, da magnifica música de Howard Shore ou dos impressionantes trabalhos de Cronenberg e Wallas, importa-me sublinhar a importância que esses trabalhos podem ter na vida de outrem. Neste caso foi na minha, e não será certamente na de todos os que aceitarem esta minha sugestão para o Halloween 2023, mas sei que o filme vos impressionará e, certamente, ficará convosco algum tempo.

Classificação: ★★★★

Link para “The Fly” na Disney +.

Bónus

Vincent

Sugestão Halloween 2023 - Vincent - Poster

Como referi quando falei de “Edward Scissorhands”, trago-vos agora um bónus, uma sugestão extra para o Halloween 2023 que podem ver já aqui. “Vincent” é o primeiro filme de Tim Burton, uma curta-metragem que homenageia o seu maior ídolo, Vincent Price, e é de certa forma, algo autobiográfico. Além disso, é narrado pelo próprio Price, aqui num texto de Burton que também homenageia o estilo de Edgar Allan Poe (adaptado na primeira sugestão deste artigo, é o chamado full circle).

“Vincent” é negro e terno, a tal dicotomia de que vos falei acima e é característica de Burton. Aqui temos o realizador a aventurar-se na animação de volumes que depois abordaria com mais competência em “Nightmare Before Christmas” e “The Corpse Bride“. Mas é essa inocência quase artesã que é aqui tão desarmante, aliada a uma honesta homenagem que é também um cartão de visita das intensões emocionais de Burton. Saboreiem o filme na integra, abaixo.

Classificação: ★★★★

Gostaram destas sugestões para o Halloween 2023? Vão aproveitar alguma? Digam-me tudo nos comentários abaixo. Bom Halloween 2023!

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