Fantasporto 2023 – Os Filmes – Parte 2/3.

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Fantasporto 2023

É a 2ª parte da programação da 43ª edição do Fantasporto – Festival Internacional de Cinema do Porto, a decorrer no Batalha Centro de Cinema de 24 de Fevereiro a 05 de Março. Abaixo poderão conhecer mais alguns dos filmes a ser exibidos na Sala 1. As informações são as fornecidas pela organização do festival. Podem também aceder directamente à bilheteira específica para cada sessão. Depois da exibição dos filmes, podem encontrar aqui a apreciação/crítica e classificação a cada um. Podem também consultar a programação da Sala 2 aqui.

2ª FEIRA, 27 de FEVEREIRO

15.15 • Demigod: the Legend Begins
Fantasporto 2023 - 15.15 • Demigod: the Legend Begins

Chris Huang Wen-Chang – 103’ (Taiwan) – CF/OE – v.o. leg. port. | Bilheteira

Quando ignora o conselho do seu mestre Eight-Toed Qilin, o novato das artes marciais Su Huan-Jen é apanhado no meio de uma perigosa luta pelo poder. Metido numa conspiração que mesmo o seu mestre não consegue resolver, Su Huan-Jen tem de reverter a maré e fazer parar o maléfico senhor de uma vez por todas. A excelência da animação num filme feito de beleza e artes marciais. Seleccionado para o Festival de Neuchatel onde ganhou o Prémio do Público, tornando-se um fenómeno no circuito dos festivais. Foi igualmente um dos mais premiados filmes no Festival de Taipé.

Apreciação: Um filme que me surpreendeu pela positiva, uma vez que à partida não daria nada por ele. Primeiro pelo género, a fantasia japonesa está a ir por caminhos demasiado esotéricos para o meu gosto. Depois porque são Barbies inexpressivas no ecrã, e ainda ontem critiquei os actores italianos por lerem o texto em vez de o interpretarem. Só que funciona. A forma como está filmado é surpreendentemente fluída, tem efeitos realistas e a falta de expressão é colmatada com uma coisa tão simples como o movimento das pálpebras, a única coisa no rosto dos bonecos que mexe. Sim, a estória não me disse nada e se tivesse de a contar não conseguia, e é estranho ver as personagens a falar sem mexer a boca, só a piscar os olhos, mas reconheço que no meio da estranheza o resultado é interessante q.b.

Classificação: ★★½★★

17.15 • Stone Turtle
Fantasporto 2023 - Stone Turtle

Woo Ming Jin – 92’ – (Mal) – CF/OE – v.o. leg. port. | Bilheteira

Zahara, uma refugiada sem nacionalidade, vive numa ilha remota na Malásia com a sobrinha da venda no mercado negro de ovos de tartaruga. Um dia chega um homem, Samad, que diz que anda a estudar as tartarugas e lhe pede ajuda. Zahara e Samad vivem então uma história cheia de duplicidade e decepção. O passado e o presente e os fantasmas que trazem.

Prémio FIPRESCI no Festival de Locarno. O realizador malaio foi já muito premiado internacionalmente, conhecido por “The Elephant and the Sea”, Prémio Especial do Júri do Festival de Turim, “Woman on Fire Looks for Water” (2009), que recebeu uma menção no Festival de Cannes, e “The Tiger Factory” (2010) que passou no Festival de Cannes e Menção Especial no Festival de Tóquio.

Apreciação: Da Malásia chega-nos um filme com uma estória simples mas que consegue elevá-la através da forma como está contada, e esse é o seu grande trunfo, o storytelling. Servido, claro, por excelentes interpretações (é a base de todo o storytelling, e Asmara Abigail tem uma beleza e segurança hipnotizantes), uma belíssima fotografia que tira partido do local paradisíaco e dos actores, e um ritmo muito bem controlado e pontuado por uma subtil banda sonora. Mas realmente o que impressiona é a forma como uma mesma estória contada vários vezes vai sendo complementada a cada uma, a ponto de mudar a nossa perspectiva sobre os personagens nos mesmos acontecimentos. No fim, acaba por lhe faltar em ambição o que lhe sobra em competência. Mas vamos ficar atentos ao que esta gente faz no futuro.

Classificação: ★½

19.00 •Ritual
Fantasporto 2023 - Ritual

Hans Herbots – 122’ (Belg/Hol/Alem) – SR – v.o. leg. port. | Bilheteira

Kiki, uma mergulhadora que trabalha para a polícia, descobre uma mão num rio. Conhecedora da importância do seu país no genocídio no Congo, ela relaciona a mão com os sacrifícios que os belgas exigiam na exploração de borracha e cobalto em África onde se fizeram muitas fortunas. Entretanto, há que saber como morreram os pais dela. Estará tudo relacionado? Um emocionante relato sobre as consequências do colonialismo.

Apreciação: Do Norte da Europa chega-nos um filme no género que aquela malta melhor sabe fazer, o thriller policial. Ultimamente chegam-nos mais filmes e séries dinamarqueses no género, muito por culpa de “The Girl With The Dragon Tattoo” e “The Bridge“, mas este não lhes fica atrás em nada. Muito boa estória, com intriga política internacional, drama familiar, romance inusitado, tudo temperado com a tensão característica deste tipo de produções, excelentes interpretações e uma realização segura. Pode faltar-lhe um pouco de paixão, é tudo milimetricamente planeado e executado, mas o resultado final é muito competente e resulta num filme que parece ter menos tempo do que aquele que realmente tem.

Classificação:

21.15 •The Ghost Writer
Fantasporto 2023 - The Ghost Writer

Paul Wilkins – 90’ (G.B.) – CF – v.o. leg. port. | Bilheteira

Um escritor em crise de inspiração, regressa à casa de família em busca de calma, mas reencontra os traumas do passado, sobretudo a memória de um pai abusivo já falecido. Quando uma mulher que desconhece lhe bate à porta, força a entrada como se o conhecesse e não se quer ir embora, a sua sanidade vai ser posta em causa ao decidir plagiar um livro do pai. Com um belo argumento do realizador Paul Wilkins e de Guy Free, com Luke Mably, o actor de “28 Days Later” de Danny Boyle, e Andrea Deck de “Homeland” e “The Crown”.

Apreciação: A estória já vista e revista do escritor atormentado que se isola no campo para escrever e coisas acontecem. E pronto, o resultado depende muito de que coisas são essas e aqui não são particularmente interessantes, nem o que acontece nem a reacção do protagonista a estes inusitados acontecimentos. Aliás, o protagonista é talvez o ponto mais fraco do filme, porque parece que está sempre fora do tom que a cena pede. E talvez o problema seja da direcção que também não parece perceber bem o material que tem mãos. O ritmo narrativo é errático a ponto de me ter provocado desconforto. O filme entra demasiado cedo na parte inusitada da estória, em que não tivemos tempo para nos apercebermos da realidade para percebermos a diferença e demoramos algum tempo a perceber que o que estamos a ver já não será normal. E depois o filme é lento em partes que podia desenvolver mais, depois volta a acelerar e parece sempre estar fora do ritmo e tom, o que faz com que seja um desafio para o espectador tentar perceber e enquadrar, até perceber que não vale a pena o esforço. Só Andrea Deck mantém a coisa minimamente interessante.

Classificação: ★½★★

3ª FEIRA, 28 de FEVEREIRO

15:15 • They Wait in the Dark
Fantasporto 2023 - They Wait in the Dark

Patrick Rea – 85’ (E.U.A.) – CF – v.o. leg. port. | Bilheteira

Amy e o seu filho adoptivo Adrian fogem da abusiva companheira da mãe, Judith. Em desespero para não serem descobertos, os dois refugiam-se numa antiga quinta dos pais de Amy no Kansas. Mas em breve uma força sobrenatural do passado de Amy ataca a mulher. Com Judith por perto, os fugitivos encontram-se encurralados entre os perigos dentro e fora da casa. Uma história com revelações constantes que surpreendem. Boa interpretação de Sarah McGuire no papel da mãe em fuga.

Apreciação: Ontem queixei-me que “The Ghost Writer” entrava demasiado depressa na parte do conflito (a que chamei inusitada). “They Wait In The Dark” tem o problema oposto, demora demasiado. E não me importo com exposição, acho que é necessária para conhecer as personagens, as origens, os conflitos e depois entrar no problema que o filme lhes coloca. Aqui demora-se muito tempo nisto por uma razão: o resto não é muito interessante, uma colecção de clichés demasiado batida apresentada sem grande chama. E o filme até estava relativamente interessante, mas quando se opta por demorar na exposição, esta tem de ser servida por grandes actores e tem de ser compensada na parte do conflito. Aqui não é nem uma coisa nem outra. E o que acaba por ter mais interesse é o elenco adulto ser totalmente feminino.

Classificação: ½

17.00 • The Grandson
Fantasporto 2023 - The Grandson

Kristóf Deák – 119’ (Hung) – SR – v.o. leg. port. | Bilheteira

O que começa como uma história sobre a exploração de velhos e esquemas por telefone para lhes roubar dinheiro, leva a outras histórias do passado. Rudi e o avô têm uma ligação muito profunda. Quando o avô é vítima de um esquema cruel, Rudi decide que não vai deixar os criminosos escapar. Um grito contra o abandono dos mais velhos. Realizador, argumentista e produtor húngaro, Deák foi vencedor do Óscar de Melhor Curta de Imagem Real em 2017 com “Sing”, filme que lhe valeu grande êxito de crítica. “The Grandson” é a sua primeira longa-metragem, baseada numa história verdadeira.

Apreciação: Mais uma vez a Hungria a trazer-nos um filme sólido, interessante e competente, centrado nas burlas por telefone e na faixa mais visada, a terceira idade. Servida por grandes interpretações, a narrativa é bem executada e ritmada, quer na exposição quer na acção. A conclusão torna-se previsível a partir de determina altura, mas isso não diminui o interessante caminho que fizemos para lá chegar.

Classificação: ★½

19.15 • Perfect Number
Fantasporto 2023 - Perfect Number

Krzysztof Zanussi – 87’ (Pol) – SR – EUROPEAN PREMIÈRE – v.o. leg. port. | Bilheteira

Um homem no fim de vida busca um recipiente válido para a sua riqueza. O mais próximo é um primo ainda jovem com quem não fala há muito. No entanto, o jovem génio pensa que já tem o seu futuro matematicamente definido e que não quer aceitar a herança. Juntos, vão à procura do sentido da vida.

Mais um filme do multipremiado mestre polaco Krzysztof Zanussi. “Illumination” (1973) foi Grand Prix de Locarno (1973) e premiado em Gdansk; seguiram-se “Quarterly Balance” (1975), “Camouflage” (1977) and “Spiral” (1978). Foi vencedor do Prémio do Júri do Festival de Cannes com “Constans” (1980).

Apreciação: Zanussi apresentou o filme (e recebeu o prémio Carreira, aos 83 anos) como sendo sobre matemática, mas é muito mais do que isso. Arrisco dizer que tem tanto de filosofia quanto de matemática. Mas o que é mais interessante aqui, é a sua estrutura, pouco convencional, e a forma como está filmado, com uma beleza e bom gosto sublimes. Não é para todos, é preciso fazer contas de cabeça para saber a quantas andamos na estória, mas se nos abstrairmos do conceito clássico de narrativa levamos daqui muito alimento para o cérebro.

Classificação:

21.15 • Sashenka
Fantasporto 2023 - Sashenka

Alexander Zhovna – 135’ (Ucrânia) – CF – CENAS EVENTUALMENTE CHOCANTES – v.o. leg. port. | Bilheteira

Anos 70 na Ucrânia Soviética. Os pais de um paraplégico são mortos em casa. A polícia investiga. O filho não pode ser o culpado. Num regresso ao passado, descobre-se um país em crise, uma família abusiva e as amizades que desafiam a morte. Um poderoso relato, por vezes chocante, sobre o abuso e as suas consequências na saúde mental. Este filme ucraniano é a segunda longa-metragem do realizador, considerado um dos novos talentos do cinema ucraniano.

Apreciação: Zhovna quis fazer uma actualização de “Psycho“, mas não é Hitchcock quem quer. “Sashenka” tem demasiadas incongruências narrativas que levam o espectador a perguntar como ou porquê várias vezes. Quer ser profundo no retrato psicológico do psicopata, mas acaba por ser superficial em tudo o que é fundamental. E também nas cenas de cariz sexual, estão lá mas não acrescentam nada à narrativa e não são intensas ou explicitas o suficiente para ter o efeito choque pretendido. Ao preto-e-branco falta-lhe contraste, quase todo o filme é em dezenas de tons de cinzento, havendo muito pouco preto para realçar melhor o branco. Devia ser obrigatório a qualquer director de fotografia que tente filmar a p/b ver e rever o “Night Of The Hunter“, para saber que não pode ter a cena iluminada por igual, senão lá se vai o contraste e tudo fica monótono. E o tema de fundo (bem de fundo) até é interessante, como algumas pessoas não estão talhadas para ter filhos e o impacto que esse descuido tem nos que os rodeiam. Só que também aí é pouco explorado, indo pelo caminho mais fácil de colocar a culpa toda nos pais, e de uma forma pouco subtil. Tem momentos interessantes, mas o resultado é desleixado e pouco relevante.

Classificação: ★★

4ª FEIRA, 1 de MARÇO

15.15 • S.O. CURTAS-METRAGENS COMPETIÇÃO C. FANTÁSTICO 1

94’ – v.o. leg. ingl. (A ordem de exibição dos filmes pode não ser a abaixo referida) | Bilheteira

For the Skeptical” – Dawn Westlake – 3’ 14’’ (E.U.A.)

Uma mulher canta e desmonta os mitos. Por exemplo, as mentiras que nos contaram sobre o Pai Natal, a Fadas dos Dentes ou Coelho da Páscoa e outras tradições sem fundamento. Prémio do Melhor Video Musical no Dream Festival de Odessa e Menção Especial para o Melhor Rap nos Europe Music Awards

Paradox”  Nika Belianina – 3’31’’ (Can) – WORLD PREMIÈRE

Uma viajante no tempo interrompe uma declaração de amor na Idade Média, procurando esclarecer a mulher sobre o que ela deve saber antes de aceitar um homem. Mas o futuro e o passado não podem colidir.

Paloquemao” – Jefferson Cardoza Herrera – 19’14’’ (Col) – WORLD PREMIÈRE

Num mercado, durante a noite, os horrores começam nos corredores das bancadas vazias. Sobretudo depois dos vampiros terem visto desmantelado o tráfico ilícito de sangue. Angie, avisada pela avó dos perigos que corre, enfrenta Harbey que gosta dela. 

Mended – Alia Alkaff – 13’ (Sing) – WORLD PREMIÈRE 

Uma mulher grávida costura um fatinho de bébé. “Que Deus lhe perdoe os pecados”, diz o homem, rasgando o fato. Que a mulher repare o seu erro com a vida.

Sleeping Beauty” – Jana Nedzvetskaya – 15’ (Rús)

Um bailado subaquático traz consigo outra beleza. Um casal real sem filhos tem finalmente uma herdeira que se revela um verdadeiro monstro que torna a vida no castelo insuportável. O assédio da governanta, que é afinal uma feiticeira malvada, amaldiçoa a família. Felizmente, há por lá uma fada boa. 

Samara Op.4” – Maxime Wattrelos, Jérémy Trochet, Louis Cocquet, Marie Heribel, François Mainquet – 6’36’’ (Fra) 

Um escultor de autómatos revive a sua vida durante as 4 estações do ano, ao encontro do sonho e da beleza que criou. A criatividade e toda a poesia da animação em poucos minutos. 

The Smile” – Erik van Schaaik – 15’ (Hol)

Quando uma famosa estrela de cinema é acusada de comer as mulheres com quem contracena, a sua carreira vai por água abaixo. E isso tira-lhe o sorriso da cara. 

PLSTC” – Laen Sanches – 1’ 37’’ (Fra)

Nos oceanos, há estranhas e belas criaturas feitas de plástico. Uma distopia sobre a realidade da poluição e que nos deixa ver as devastadoras consequências dos nossos hábitos na vida marinha. 

17.15 • Kargo
Fantasporto 2023 - Kargo

T.M. Malones – 82’ (Filipinas) – SR/OE – INTERNATIONAL PREMIERE – v.o. leg. port. | Bilheteira

Um acidente. A filha e o marido morrem. Para vingar a família que perdeu, Sara decide tomar o lugar do marido no trabalho, conduzindo um camião de carga e procurar o homem que foi responsável pelo acidente. Um dia, constantemente assediada pelos homens que encontra pelo caminho, ajuda uma menina muda. Juntas vão enfrentar os perigos da estrada e os traficantes de crianças. Suspense e muita ternura neste filme vencedor do Prémio do Público no Cinemalayan Film Festival.

Apreciação: Já perdi a conta aos filmes filipinos que vi no Fantasporto, e há uma coisa que comecei a criticar nos últimos três ou quatro anos: o tema era sempre o mesmo. Com a excepção de três (que me lembre) que eram de terror, “Dementia” e “Ilawod – The Water Spirit” e “The Woman in Unit 23B (Ang Mananaggal Sa Unit 23B)”, todos os outros eram passados em Manila (ou numa grande cidade semelhante), tinham famílias disfuncionais ligadas ao crime ou à prostituição, com crianças a terem de trabalhar para sustentar os vícios dos pais, trabalhadores do sexo, transexuais e outros tipos de desajustados e marginalizados pela sociedade, sempre num estilo muito próximo do documentário. E eram todos bons filmes, mas a partir de determinada altura pareciam o mesmo com pequenas variações. Serve isto para dizer que “Kargo”, apesar de Filipino, tem uma abordagem refrescante. É passado longe das grandes cidades, e é sobre uma mulher que perde o marido e filha num acidente e quer vingar-se do culpado. E toda esta parte da estória é muito interessante e bem filmada, com uma fotografia belíssima com planos muito bem planeados e executados. Só que depois vem a parte das crianças, e mais concretamente do tráfego de crianças, uma realidade terrível que deve ser denunciada, discutida e combatida, no cinema ou, principalmente, fora dele. o problema é que aqui desequilibra o filme, entrando mesmo por alguns clichés e optando por soluções algo inverosímeis que prejudicam um pouco o resultado final. Tem grandes interpretações, bom ritmo narrativo e banda sonora, só gostava que se tivesse mantido simples e verosímel até ao final.

Classificação:

19.15 • Purgatory
Fantasporto 2023 - Purgatory

Vassilis Mazomenos – 95’ (Grécia) – SR – v.o. leg. port. | Bilheteira

No mundo dominado pela pandemia e pela violência, retratos do quotidiano. A paternidade em questão, a aridez e o silêncio entre as pessoas, o colmatar do amor, o desespero. Os serviços públicos de um país cansado. Quem é são e quem está louco? Outro magnífico retrato dos tempos modernos pela mão do realizador grego Vassilis Mazomenos, um visitante assíduo do Fantasporto que já lhe entregou um Prémio Carreira em 2001.

Apreciação: Talvez o melhor filme desta edição do Fantas, até agora. Mazomenos é um habitué e um tipo muito particular, o que se reflete nos seus filmes. “Purgatory” está dividido em estórias (ou capítulos) voláteis, em que personagens principais num são secundários ou figurantes noutros, entrando e saindo, com ou sem intervenção directa na storyline alheia. É uma tapeçaria de momentos mais ou menos marcantes na vida de um conjunto de pessoas, feita com um olhar humorístico, crítico, pragmático (e dramático) e bastante poético. É muito bem filmado e executado, com momentos que lembram David Lynch mas que são algo completamente diferente e original. Gostava muito que tivesse visibilidade extra-Fantas.

Classificação: ½

21.15 • Exhibit #8
Fantasporto 2023 - Exhibit #8

Ruben Broekhuis – 76´(Hol) – CF – INTERNATIONAL PREMIÈRE – CENAS EVENTUALMENTE CHOCANTES – v.o. leg. port. | Bilheteira

O horror das crianças migrantes que desaparecem sem rasto na Europa e o tráfico de humanos. Aisha e o irmão Adin vieram da Bósnia sozinhos para a Holanda. Um realizador espanhol, Elias, vai ouvir a sua história e investigar com ela a razão do desaparecimento súbito do irmão. O que descobrem é a arrepiante verdade que os põe em risco de vida. Um exemplo de bom cinema, mas também um tema actual que deve incomodar todos. 1ª longa-metragem de ficção deste realizador holandês.

Apreciação: Mais um filme de terror mediano, que poderia ser bem mais se não seguisse os clichés do género e se compreendesse melhor o subgénero do found-footage que escolheu. As interpretações são competentes, mas o estilo torna-se cansativo e errático, misturando meios de filmagem (para não ser sempre a câmara tremida) que acabam por não ser muito coerentes com a narrativa. A primeira meia hora consegue ser apelativa e interessante, mas o resto é demasiado previsível e inconsequente. E nada chocante.

Classificação:

Que filmes estão a pensar ir ver nesta edição do Fantasporto, e qual vos chama mais a atenção?

Parte 1 da programação do Fantasporto 2023.

Parte 3 da programação do Fantasporto 2023.

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