Sugestões para o Halloween 2021 – Streaming.

| Lido 171 vezes

Eis a edição de 2021 das minhas sugestóes para o Halloween. À semelhança da edição de 2020, de filmes e séries que podem ser vistas nas três plataformas de streaming que frequento: Netflix, HBO Portugal e Amazon Prime Video. Novidades, clássicos e títulos que podem eventualmente ter passado despercebidos. Para esta edição há ainda um bónus: o streaming não é só vídeo, e há muitos podcasts que valem a pena ouvir. Podem ouvir estes que recomendo no Spotify, ou na plataforma em que geralmente ouvem podcasts. Como sempre, em todas as recomendações existe link directo para o conteúdo, para que possam começar a ver/ ouvir sem perder tempo. Vamos às sugestões…

Midnight Mass

Para começar, não podia deixar de recomendar “Midnight Mass“, a nova série de Mike Flanagan para a Netflix, e que é sem dúvida a melhor do ano. Já escrevi sobre ela no artigo anterior, que podem ler aqui.

Classificação: ★★★★

Link para “Midnight Mass” na Netflix.

Crawl

Fez parte das minhas menções honrosas na lista dos melhores filmes de 2019 e está agora disponível na Netflix. Alexandre Aja é um realizador inconstante, com títulos interessantes no currículo como “Mirrors” (também disponível na Netflix) ou “Piranha 3D“. Aqui, volta a ter um dos seus pontos altos, com uma realização segura e competente, num filme que peca por ter um guião que exige demasiada suspensão da descrença por parte do espectador. Fora isso, é um divertimento competente na criação de alguns sustos e momentos de tensão. Destaque para a belíssima fotografia, principalmente nas cenas de exterior, e para a produção de Sam Raimi.

Classificação: ★★★½

Link para “Crawl” na Netflix.

The Call

The Call” é um filme de terror sul-coreano que estreou na Netflix em Novembro de 2020, já depois do último Halloween. Duas raparigas falam inadvertidamente por telefone, até perceberem que estão na mesma casa com 20 anos de diferença. Uma delas é serial killer, e vai ameaçar o passado (e a vida) da outra para tentar alterar o seu próprio destino. O conceito de um assassino que viaja no tempo não é novo (em “Time After Time” de 1979, Jack, o estripador, viajava para a actualidade na máquina do tempo de H. G. Wells) mas aqui tem um twist interessante, pois não há viagem, apenas uma ligação. De resto, o principio é o mesmo, com a variante de ser um filme coreano e portanto violento, mais longo do que poderia (ou deveria?) ser e com a vingança como pano de fundo. A estreia de Chung-Hyun Lee na realização resulta num tenso, desafiante e bem construído thriller, que cumpre bem os seus objectivos.

Classificação: ★★★★

Link para “The Call” na Netflix.

30 Monedas

Também a HBO falhou o Halloween de 2020 com “30 Monedas” (estreada em Novembro), de Álex de la Iglesia, um dos mais estimulantes (e loucos) realizadores a trabalhar o género do terror. Aqui, uma sociedade secreta tenta reunir as 30 moedas pagas a Judas, e que lhe trará o poder das trevas. Quando uma delas vai parar a uma pequena aldeia espanhola e estranhas coisas começam a acontecer, o Padre Vergara, exorcista, boxeur e ex-presidiário, com a ajuda do presidente da câmara e da veterinária vão tentar travar o mal. Este é o trabalho mais inventivo e intenso de Iglesia, o que não é dizer pouco. A forma como cria situações tão assustadoras quando cómicas, sequências de acção dignas de um blockbuster de hollywood e personagens tridimensionais é espantosa. A crítica à Igreja é ironicamente uma das imagens de marca de Iglesia, e é aqui levada ao extremo. Todos os 8 episódios foram realizados pelo próprio com a mestria que lhe é (re)conhecida. Um projecto incontornável para quem gosta do género.

Classificação: ★★★★½

Link para “30 Monedas” na HBO Portugal.

Coisa Ruim

Tiago Guedes, que aqui se estreou na realização ao lado de Frederico Serra, tornou-se um dos mais interessantes realizadores portugueses da actualidade, tanto na televisão (“Odisseia“), como no cinema (“A Herdade“). “Coisa Ruim” foi a primeira longa-metragem portuguesa assumidamente de terror, género até então (2006) por explorar. Uma família muda-se da cidade para a aldeia, e eventos estranhos e sem explicação lógica começam a acontecer, correspondendo a algumas crenças locais. Se esta premissa parece muito batida, trazê-la para perto de nós, para a nossa realidade, deu-lhe outra dimensão. O argumento de Rodrigo Guedes de Carvalho é bem conseguido na caracterização de personagens e cria um clima de tensão muito satisfatório, dada a tradução da premissa para a realidade cinematográfica nacional. Não há aqui litros de sangue a ser derramado nem efeitos especiais de encher o olho, mas a inquietação constante que se sente ao ver “Coisa Ruim” não tem preço. Destaque ainda para o excelente e corajoso elenco.

Classificação: ★★★★

Link para “Coisa Ruim” na HBO Portugal.

The VVitch

William e Katherine tentam viver uma vida cristã com os seus cinco filhos em New England, em 1630, até William desafiar a Igreja local e perder o acordado com a comunidade. Quando o seu filho recém-nascido desaparece e perdem as colheitas, os membros da família viram-se uns contra os outros. Esta estreia na realização de Robert Eggers é curiosamente próxima da sugestão anterior. Existe um minimalismo narrativo e formal, uma contenção que nos transmite inquietação e claustrofobia (mesmo que se passem no campo). Há uma ameaça que nunca é claramente mostrada, tornando-se mais eficaz do que uma apoteótica revelação. Excelentes fotografia, direcção artística e trabalho de som. Destaque ainda para a estreia de Anya Taylor-Joy.

Classificação: ★★★★

Link para “The VVitch” na HBO Portugal. (disponível na plataforma até 31-10-2021)

Supernatural

Sim, “Supernatural“. Antes de mais, deixem-me dizer que sou um totalista da série, 15 temporadas e 327 episódios. Mas aquilo que recomendo são as primeiras 5. A razão é simples: Eric Kripke criou a série para ter exactamente 5 temporadas, com princípio, meio e fim. Tudo bem estruturado e com uma boa e coerente estória. Depois? Depois a Warner e a CW não quiseram deixar morrer a sua galinha dos ovos de ouro, e perante a recusa de Kripke em continuar como showrunner, chamaram alguém para o substituir e a 6ª temporada é uma bosta. Mesmo. Das grandes. Voltaram a mudar de showrunner e a coisa foi melhorando, mas a sensação que dava é que não havia um rumo certo. Em cada temporada ia-se criando a estória de fundo, temporada a temporada porque agora não se sabia quando ia acabar. A sorte é que a série é um procedural, ou seja, é como aquelas séries policiais em que cada episódio é um caso diferente. Só que aqui são casos para caçadores de monstros. E mesmo nas temporadas mais fracas ou à deriva no seu fio condutor, continua a ter bons episódios, divertidos, com sustos e suspense q.b. e actores com carisma e boa química entre sí. Portanto, recomendo as primeiras 5 temporadas. A partir daí, se forem, vão por vossa conta e risco.

Classificação: (até à 5ª temporada) ★★★★½ (a partir da 6ª temporada) ★★★★★

Link para “Supernatural” na Amazon Prime Video.

Overlord

Produzido por J. J. Abrams, “Overlord” é um filme que leva o horror da guerra (neste caso, a Segunda Guerra Mundial) um pouco mais além. Um grupo de paraquedistas americanos com a missão de destruir uma torre de rádio numa pequena vila, despenha-se atrás das linhas do inimigo. Empenhados em cumprir a missão, vão ter de enfrentar muito mais do que simples soldados alemães. Realizado por Julius Avery (de quem esperamos “Samaritan“, com Sylvester Stallone), “Overlord” é um filme de terror excessivo, bem executado, e sem pretensões de ser mais do que aquilo que é: um bom divertimento para quem gosta do género. Mas enquanto não explode em violência, gore e excelente caracterização prática, é também um competente filme de guerra que vale a pena espreitar.

Classificação: ★★★½

Link para “Overlord” na Amazon Prime Video.

An American Werewolf In London

Já sabem que gosto de incluir nas minhas sugestões um daqueles clássicos absolutos, que vale sempre a pena ver ou rever. Neste caso, temos “An American Werewolf In London“, que completou em Agosto a bonita idade de 40 anos. Realizado por John Landis, que consegue aqui um excelente equilibrio entre comédia e horror, é na caracterização e efeitos práticos de Rick Baker, que o filme continua a surpreender. Alguns efeitos são já datados, principalmente aqueles em que vemos o Lobisomem totalmente formado a avançar sobre a população em Picadilly Circus. Mas esta estória sobre dois americanos que se aventuram pela Inglaterra rural em noite de lua cheia continua a ser claustrofóbica, intensa e assustadoramente divertida.

Classificação: ★★★★★

Link para “An American Werewolf In London” na Amazon Prime Video.

Desta vez, como bónus, junto dois podcasts que estão disponivéis no Spotify, ou em qualquer plataforma onde geralmente ouvem os vossos podcasts…

Eli Roth’s History Of Horror: Uncut

O primeiro podcast que vos trago é o irmão gémeo da excelente série da Shudder, “Eli Roth’s History Of Horror“. A sua versão televisiva vai na 3ª temporada (a 2ª passou recentemente na AMC Portugal) e é uma belíssima viagem pela história do cinema de terror, com cada episódio dedicado a um subgénero, e alguns convidados bem conhecidos a explicarem a sua relação com alguns dos filmes que definiram esse sub-género. A versão podcast que aqui vos trago é diferente. Cada episódio é a versão uncut das entrevistas feitas a cada um desses convidados. Não se fala de um sub-género em particular, mas tenta-se fazer um apanhado de tudo, da carreira do convidado aos seus filmes preferidos e ao que significam para eles. E há aqui tanta gente boa que vale a pena ouvir: de Stephen King a Mike Flanagan, passando por Quentin Tarantino, Roger Corman, Greg Nicotero, Bruce Campbell, Rob Zombie e tantos outros. À semelhança da série televisiva, também o podcast vai na 3ª temporada e cada episódio é lançado simultaneamente na tv e no podcast.

Post Mortem with Mick Garris

Mick Garris é um dos mais enérgicos defensores do género do terror (tal como Eli Roth), em que já trabalhou em praticamente todas as actividades, em mais de 40 anos de carreira. Neste seu podcast, vai alternando entrevistas de fundo a muita gente relevante para o género com episódios a que responde directamente a perguntas que lhe são feitas. Pelo meio há um ou outro episódio especial, como a homenagem a Wes Craven feita por Robert Englund. mais uma vez, há aqui uma galeria riquissíma de entrevistados como Guillermo Del Toro, John Landis, Joe Dante, Doug Jones, Lloyd Kaufman, John Carpenter, entre muitos outros.

Gostaram destas recomendações? Vão aproveitar alguma? Têm também uma sugestão que gostariam de deixar? A caixa de comentários é toda vossa…

Deixe um comentário