Fantasporto 2021 – Programação Extra / 1 e 2 de Maio.

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Foi anunciado esta madrugada que, devido ao levantamento do Estado de emergência, será possível haver sessões do Fantasporto durante o fim-de-semana no Hard Club. Assim sendo, a organização decidiu voltar a exibir alguns dos filmes premiados nesta edição do festival, para que o público tenha nova oportunidade de os ver. Foi também anunciado que o filme vencedor (e que ainda não teve exibição, estando marcada para dia 3 às 20h00) foi “Suicide Forest Village“. De realçar que os bilhetes para estas sessões de fim-de-semana só poderão ser adquiridos na bilheteira do Hard Club, não havendo por isso link para a bilheteira online. Fiquem então com a programação deste fim de semana.

SÁBADO, 1 MAIO

15:00 • “O Cemitério das Almas Perdidas

Rodrigo Aragão – 95’- Brasil – CF- horror- v.o. falado port, leg ingl | PRÉMIO MELHORES EFEITOS ESPECIAIS CF

Um barco no meio da tormenta é salvo pela invocação de um homem, Cipriano. Os marinheiros chegam a uma terra e matam os nativos. Mas uma mulher sobrevive. Do realizador de “A Mata Negra”.

Apreciação: Na edição de 2019 do Fantasporto, escrevi sobre o filme anterior de Rodrigo Aragão, “A Mata Negra“. Podem ler essa apreciação aqui. É curioso que, dois anos depois, o seu sucessor tenha exactamente os mesmos problemas: mau argumento e personagens, em contraste com boa direcção artística, bons efeitos especiais e banda sonora. Aragão deveria delegar a escrita dos seus filmes a quem percebe mesmo do assunto.

Ontem, estava a ouvir uma entrevista de Mike Flanagan no podcast do Mick Garris em que ele dizia que se a um filme de terror lhe tirarmos os elementos do género, o que resta deve sustentar o filme como um bom drama. Ora, se a “O Cemitério Das Almas Perdidas” retirarmos os elementos de terror, não resta absolutamente nada, o que é o mesmo que dizer que não há nada no filme que sirva de identitário com o espectador. E era fundamental que isso acontecesse.

Classificação: ★★½★★

17:00 • “Dinner in America

Adam Rehmeier – 108’ (EUA)- SR- drama – v.o. fal. ingl | PRÉMIO DE ARGUMENTO SR

Um rapaz vive de expedientes. Uma jovem inadaptada e pouco inteligente. Os dois encontram-se e iniciam um percurso pelos problemas dos subúrbios da América. Um conto sobre uma juventude sem valores nem futuro, a obsessão e o desenraizamento, ao encontro do amor. Produzido pelo conhecido Ben Stiller, o filme foi Prémio de Público no Festival de Neuchatel e premiado nos festivais de Odesa e Virgínia, sendo seleção de Sundance. 

Apreciação: “Dinner In America” é uma proposta interessante, irreverente q.b., bem humorada, mas que acaba infelizmente por se revelar inconsequente. Haveria aqui potencial para criar algo de único, mas não é irmão Cohen quem quer, e o estilo é algo que tem de ser natural. Aqui, esta irreverência parece forçada a espaços, o que lhe retira força e autenticidade. Destaque para a interpretação de Emily Skeggs e algumas presenças conhecidas, como Lea Thompson e Mary Lynn Rajskub.

Classificação: ★★★★★

 20.00 • “Marionette

Elbert van Strien – 112’ (Hol/UK/Luxemb)- CF – fantástico, horror – v.o. falado Ingl, leg.port | PRÉMIO ACTRIZ CF

Do realizador Elbert van Strien, vencedor do Prémio Melhor Filme Fantástico do Fantasporto 2011 com “Two Staring Eyes”, esta é a história de uma psiquiatra que, após a morte do marido num acidente, decide ir trabalhar para a Escócia. Um dos seus doentes é um enigmático rapazinho que desenha imagens violentas e diz que controla o futuro dela. 

Apreciação: “Marionette” sofre daquele síndrome do filme que quer tanto ser diferente e surpreender o espectador, que opta por soluções narrativas que esticam a verosimilhança até ela quebrar. E é pena que os últimos 20 minutos do filme ponham em causa o excelente trabalho que tinha sido feito até então. Estava a ser um filme denso, intenso, provocador e estimulante e depois pôs-se a inventar e estragou (quase) tudo. Ficam a boa fotografia, as boas interpretações, o ritmo narrativo e o clima de tensão constante, que infelizmente não chegam para tirar o filme da mediocridade.

Classificação: ★★½★★

DOMINGO, 2 MAIO

15:00 • “Post-Mortem

Péter Bergendy – 115’ (Hung)- CF – fantástico, horror-  v.o. leg ingl | PRÉMIO DE REALIZAÇÃO CF E PRÉMIO ARGUMENTO CF

Um fotógrafo faz fotografias de família com os seus mortos, como era costume na época. Chegado a uma aldeia, vivem rodeados de fantasmas assustadores. Este é o primeiro filme de horror húngaro, rivalizando com as grandes produções americanas, a lembrar também grandes clássicos como o soviético “Viyi”. 

Apreciação: Finalmente, um filme de terror como deve de ser. Já não me lembrava da última vez que me arrepiei a ver um filme de terror, mas aqui aconteceu várias vezes, e sempre com uma intensidade e duração dignas de nota. “Post Morten” é inteligente, envolvente, bem escrito e interpretado e com uma direcção artística de época muito eficaz. Tem excelentes efeitos especiais e momentos de tensão e horror muito bem executados e eficazes. Dificilmente não será o melhor filme desta edição do Fantas.

Classificação: ★★★★★

17:30 • “Awauta

Mile Nagaoka – 71’ (Jap) – ANTESTREIA MUNDIAL- SR- drama- v.o. leg ingl | PRÉMIO ESPECIAL DO JURI SR E PRÉMIO DE REALIZAÇÃO SR

Yumiko é uma gueixa que deixa a cidade e regressa à terra natal. Aí, é de novo confrontada com as tradições ancestrais, a música e a dança. “Awauta” é um poema clássico japonês com 48 sons que usa a voz humana para criar uma ressonância divina, transformando a experiência de cada um em sons alegres e positivos. 1ª longa-metragem do realizador.

Apreciação: A maior surpresa até agora, talvez porque nada do que está no vídeo abaixo esteja no filme. Este “Awauta” é um filme sóbrio, bem construído, com um ritmo pausado e contemplativo, servindo a narrativa. Tem uma estória simples mas eficaz, conseguindo explorar bem as particularidades da cultura japonesa.

Classificação: ★★★

20:00 • “Preparations To Be Together for an Unknown Period of Time” / “Felkészulés

Lili Horvát – 95’ (Hungria) SR- drama, romance – v.o. leg ingl | PRÉMIO MELHOR FILME SR E PRÉMIO ACTRIZ SR

Márta, uma neurocirurgiã de 40 anos, apaixona-se e decide deixar a sua carreira brilhante nos Estados Unidos. Chega a Budapest para iniciar uma nova vida com o homem que ama. Mas o encontro marcado com ele na Ponte da Liberdade não acontece. Uma história de amor, irresistível e inevitável, já vencedora do Prémio do Júri no Festival de Filadélfia e prémios nos Festivais de Valladolid e Varsóvia.

Apreciação: A Hungria tem marcado presença sólida e assídua em edições recentes do Fantas, e este ano volta com boas apostas. Esta é bastante interessante, até porque acaba por não ser nada do que se estava à espera. Não é natural vir ao Fantas para ver um romance, principalmente um que demora a assumir-se como tal. Brinca um pouco ao thriller, faz um charme ao suspense, mas não passa de uma interessante e sólida estória de amor. Bem interpretado, bem realizado e com uma fotografia cativante, foi uma boa e terna surpresa.

Classificação:★★★★

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