Porto 7 – “The Confession”, de Tanel Toom.

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Certamente que, quando for feito o balanço da edição deste ano do Festival Porto 7, um dos pontos altos será a sessão de ontem inteiramente dedicada a “The Confession“, filme do estónio Tanel Toom, que foi nomeado este ano para o Óscar de melhor curta-metragem, seguida de curta mas aprofundada e esclarecedora marterclass. E, uma vez que uma nomeação ao Óscar nem sempre é sinónimo de bom filme, este foi uma agradável surpresa, e um dos melhores filmes que vi este ano.

Ao aproximar-se o momento da primeira comunhão, e da primeira confissão, Sam está preocupado por não ter pecados para confessar. Jacob, o seu melhor amigo, prontifica-se a ajudá-lo e elabora uma partida inocente que terá consequências trágicas e irreversíveis.

O filme aborda temas como a inocência e a sua perda, a culpa, a religião e a amizade de forma simples e directa, mas o filme é um crescendo de emoção, intensidade e angústia que prevalece muito depois do seu final. Brilhantemente concebido e realizado, tem no par de protagonistas o centro da sua força. Lewis Howlett e Joe Eales, ambos de 9 anos, são perfeitos na criação dos dois amigos de feitios diferentes, que se complementam nas circunstâncias próprias da infância, mas que lidam de forma diferente com a culpa e a responsabilidade.

A gestão destes elementos por parte de Toom é exemplar e a atenção ao detalhe é perfeita. A fotografia de Davide Cinzi, o desenho de produção de Luke Hull e a direcção artística de Lucy Gahagan são belíssimos e ajudam a criar os ambientes e atmosferas que servem a estória ao longo das suas variações e dão ao filme, que foi um projecto de final de curso, um visual e qualidade digno dos melhores filmes profissionais.

Na masterclass que seguiu o filme, Toom abordou aspectos como a concepção da ideia e dos temas a explorar, os diferentes aspectos da criação e da rodagem, os efeitos especiais, etc., sempre acompanhado de imagens que ilustravam o esforço e dedicação postos no projecto, mas também uma clareza de objectivos dignos dos melhores profissionais da área. Concluindo, Toom é um cineasta a seguir atentamente e este “The Confession” é um filme que o laxanteCULTURAL recomenda vivamente a todos os cinéfilos e apreciadores de cinema em geral. A organização do Porto 7 está também de parabéns por ter proporcionado ao público uma sessão tão cinematograficamente rica e didáctica.

Classificação: 5/5

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