
Sessões do Fantasporto 2026 abordadas neste artigo:
2ª parte da programação da 46ª edição do Fantasporto – Festival Internacional de Cinema do Porto, a decorrer no Batalha Centro de Cinema de 27 de Fevereiro a 8 de Março. Abaixo poderão conhecer mais alguns dos filmes a ser exibidos na Sala 1. As sinopses são as fornecidas pela organização do festival. Podem também aceder directamente à bilheteira específica para cada sessão, no link junto da informação de cada filme. Depois da exibição dos filmes, podem encontrar aqui a apreciação/crítica e classificação a cada um. Podem também consultar o resto da programação aqui.
2ª FEIRA, 2 de Março
15.15 ✦ “The Dollmaker“

José Maria Cicala – 100’ (Argentina) – CF – Horror- v.o., leg ingl e port | Bilheteira
Numa pequena cidade em que nada acontece, várias mulheres desaparecem. As forças da cidade procuram o culpado. O principal suspeito é Tomás que trabalha numa loja de aluguer de vídeo e trata da mãe. Tomás está agora enamorado de Argentina, uma jovem empregada de um bar. Um exemplo do melhor cinema de horror argentino onde cada personagem encerra múltiplos mistérios. Esta é a 4º longa-metragem do realizador e argumentista Cicala conhecido por “Shadow of the Cat” (2021) e “Sola” (2021), vencedor do Prémio de Melhor Filme Independente no Festival de Montreal.
Apreciação: O primeiro argentino do dia, é um filme de terror desequilibrado, mas com interessantes apontamentos do género. Sem trazer nada de novo (o tema das bonecas e que quem as cria é recorrente no Horror), o filme tem algumas sequências bem conseguidas, entre outras que pecam por excesso. Há aqui a noção de que o exagero por si só tem piada, o que não é verdade. A única coisa que tem piada é o humor, e se ele está ausente (a maioria das piadas acerta um pouco ao lado), o seu uso descontrolado acaba por prejudicar o resultado final. Saúda-se o facto de ser um filme de género puro e duro, mas que dificilmente será alvo de uma revisitação.
Classificação: ★★★★★
17.30 ✦ “Lenore“

David Ward – 88’ (Austrália) – CF – Horror- v.o. ingl, leg port | Bilheteira
Lenore é uma influenciadora que se expõe na net, incluindo a sua vida privada e a sua relação com o pai. Um espectador assíduo e obcecado é Max Wren, um realizador que está, diz ele, a fazer um documentário. Quando é visitado por outro fã da influenciadora, a realidade dilui-se. Sabem que Lenore desapareceu e os seus seguidores não aguentam a sua falta. Um filme vindo da Austrália, baseado numa peça de teatro e que conta com um notável protagonista, Nicholas Jaquinot.
Apreciação: Da Austrália chega-nos mais um chamada de atenção para a persistente desumanização que as redes sociais nos infligem. Não é assunto novo, mas Ward consegue cativar-nos com uma narrativa segura e consistente que nos agarra no inicio para não mais nos largar, fazendo-nos pensar e temer pelos protagonistas, mesmo quando twists estrategicamente colocados, nos fazem estar contra eles. É um bem montado puzzle com mistério e complexidade, mas que nunca nos deixa perder de vista o fio à meada. E num mundo cada vez mais desumano, tem personagens complexos e tridimensionais com os quais é fácil sentir empatia, antes desta se tornar simpatia ou antipatia.
“Lenore” faz, claro, alusão a Edgar Alan Poe e ao mais épico dos seus poemas, retratando a obsessão pelo outro e o vazio degradante da perda numa das suas diferentes camadas. Há aqui culpa e tentativa de redenção. Há vergonha e há ostensivo orgulho. É uma matrioska de temas que resulta numa representação da figura humana como um todo, ena sua crueza, antes de ser reflectida nos ecrãs cheios de filtros que compõem a vida exibida. “Lenore” é cru e poético, e absolutamente urgente.
Classificação:★★★★½
19.15 ✦ “Crushed“

Simon Rumley – 102’ (Reino Unido) – CF – Horror – CENAS EVENTUALMENTE CHOCANTES- v.o. ingl, leg port | Bilheteira
Nos arredores de Bangkok, um perturbador vídeo sobre crueldade em animais está a circular, causando o choque e nojo dos que o vêem. Esse vídeo vai marcar a vida pacífica do pastor Daniel e da sua mulher May quando é mostrado à filha Olívia, matando-lhe a inocência. Depois do seu gato desaparecer, a já traumatizada Olivia é raptada por um oportunista, Stanley, para a vender depois ao sub-mundo do tráfico humano. O realizador Simon Rumley venceu o Festival de Sitges com “The Living and the Dead” (2006) e com a curta-metragem “The Handy Man” (2006). “Crushed” foi selecção dos Festivais de Edinburgo, Fright Fest e Sitges.
Apreciação: “Crushed” é um filme que, tal como o nome indica, esmaga sem pedir licença ou desculpa. É cru, grotesco e realista na exploração do pior que existe na natureza humana. E é aqui que reside o meu problema com o filme. Até que ponto é relevante e/ou oportuno?
Aquilo que o livra do carimbo de exploitation é a honestidade e clareza com que aborda o tema. É abordado de forma séria e é também por isso que causa esmagador desconforto. E a forma como o entrega ao espectador é sem reservas ou atenuantes. Não nos dá pontos de vista ou respostas que confortem. O que mais ouvi depois da sua exibição, é que o filme punia ao lado. O maior infractor saía impune e o castigado não merecia tanto, pelo menos vindo que quem vinha. A minha resposta foi: quantos de nós é que conseguiriam não fazer o mesmo? E que direito tem o realizador de nos expor a estas questões?
Classificação: ★★★½★
21.30 ✦ “The Whisper” (“El Sussurro“)

Gustavo Hernández Ibáñez – 101’ (Uruguai/ Arg) – CF – CENAS EVENTUALMENTE CHOCANTES- v.o., leg ingl e port | Bilheteira
Uma mãe, Lucia, e o seu filho Adrian fogem de um pai violento para uma casa isolada num bosque. O desaparecimento de várias raparigas na zona e um gato com localizador vão-lhes revelar vizinhos perigosos que fazem parte de uma rede que rapta jovens para fazer “snuff movies”. Mas Lucia tem também de lidar com a maldição que afecta a sua família. O realizador Gustavo Hernández é conhecido por “The Silent House” (2010) que foi selecção do Festival de Cannes. “El Sussurro” foi selecção do Festival de Sitges 2025 e venceu o Melhor Filme nos festivais Mórbido (México) e Rojo Sangre (Argentina).
Apreciação: Ao final da noite, um filme de um sub-género do terror muito estimado pelo público, os vampiros. “The whisper” é um sólido filme, que consegue usar a mitologia e a metodologia dos vampiros a favor de um drama familiar bem concebido e com sólidas personagens tridimensionais. O filme só não nos ganha na totalidade porque existem algumas incongruências que ficam por explicar. Se o miúdo consegue falar, porque não o faz? Esta é a pergunta de um milhão de dólares e cuja resposta poderia terminar o filme muito mais cedo.
Se nos abstrairmos deste facto, Ibáñez consegue entreter-nos e assustar-nos em doses generosas (houve alguns saltos nas cadeiras do Batalha), mas a escolha final da protagonista acabou por deixar a plateia dividida, mais uma vez por falta de comunicação de intenções com o espectador. Para mim resume-se a um ponto: faltou-lhe um pouco mais de pragmatismo narrativo para ser um futuro filme de culto.
Classificação: ★★★½★
3ª FEIRA, 3 de Março
15.15 ✦ “IAI“

Zenzo Sakai – 91’ (Jap) – CF/OE – horror – v.o., leg ingl e port | Bilheteira
Duas irmãs. Após a morte do pai, uma delas, Kana, fica com a mãe, muito idosa, numa cadeira de rodas e sem falar. Para além do trabalho, há um problema de comunicação. Kana convence-se de que a mãe tem um espírito maléfico dentro. E avisa a irmã para proteger o filho Yuta. Contudo, não consegue evitar que todos vão morrendo à volta dela. Um exemplo do horror japonês, construído a partir de pequenos detalhes. O realizador Kenzo Sukai é conhecido por “Kaunsera” (2021), “Since Then” (2012 ) e “Sharing” (2014) . Esta é a sua primeira longa-metragem.
Apreciação: “IAI” é um mediano filme de terror Japonês, com uma atmosfera tensa, mas um ritmo narrativo demasiado lento que o torna aborrecido a espaços. E se a premissa é um bem construído drama familiar o elemento de horror não só não acrescenta como cria uma expectativas que nunca se chegam a cumprir por completo. Tem uma fotografia e interpretações muito boas, que ajudam a suportar a duração do filme, que infelizmente parece maior do que é. Falta clareza na definição da estória que quer contar, apesar de ter momentos muito interessantes, mas inconsequentes.
Classificação: ★★★★★
17.15 ✦ “Hellbilly Hollow“

Kevin Wayne – 85’ (EUA) – CF – horror- v.o. ingl, leg port | Bilheteira
O macabro atrai grupos de adolescentes em busca de emoções fortes à feira de diversões instalada numa quinta do Alabama. Chega também uma equipa interessada em filmar um programa sobre o paranormal com o gerente e pessoal da quinta. Entre a realidade e a magia, o passado e o presente, o horror instala-se. Com Sandra Lafferty (“The Hunger Games”), Hallie Shepherd (“Due Justice”) e Danny Vinson (”Walk the Line”). Kurt Deimer, o protagonista é um conhecido músico de “heavy metal” que também assina a banda sonora. Selecção do Fantastic Horror Film Festival de San Diego.
Apreciação: “Hellbilly Hollow” é um filme redundante e inconsequente. Tivesse sido feito há 25 anos e sairia directo para vídeo. Nada aqui é novo, quer na estória quer no imaginário. Palhaços no terror já há muitos e com mais carisma do que este, feiras temáticas também, parolos com a ilusão da impunidade, youtubers com a mania que são espertos e não passam de carne para canhão, etc. Dejá vu em cima de dejá vu, num resultado final previsível e que já esquecemos meia hora depois. Pode entreter os menos exigentes.
Classificação: ★★½★★
19.15 ✦ “The Specials“

Eiji Uchida – 111’ (Jap) – SR /OE – WORLD PREMIÈRE – comédia, acção, thriller- v.o., leg ingl e port | Bilheteira
Um grupo heterogéneo de yakusas tem como missão aniquilar o chefe de outra facção, Honjo, que está sempre rodeado de guarda-costas. O seu ponto fraco é a neta que vai participar num concurso de dança. A solução para o conseguirem matar é participarem na competição. Só que têm também de aprender a dançar. Uma comédia de acção em que as cenas de tiros vão combinar com a descoberta do outro lado da sociedade, feito de amizade e solidariedade. Selecção do Festival de Helsínquia. O realizador Uchida venceu o Prémio do Público com “Midnight Swan” (2020) no Festival de Udine (Italia).
Apreciação: Aborrecem-me as comédias nipónicas que nos chegam todos os anos ao Fantas. O humor é geralmente infantil e sem graça, numa estética pop pastilha elástica que se mastiga e deita fora. Declaração de princípios arrumada, “The Specials” é uma agradável surpresa.
O principio é o mesmo, mas feito com uma maturidade que não é costume neste género. Começa com cenas de acção muito bem filmadas e criativas, e prossegue para uma narrativa humorística que tem realmente humor, fruto de uma galeria de personagens tridimensionais e apelativas. Fez-me lembrar a espaços “The Full Monty” e “Billy Elliot“, que é o maior elogio que lhe posso fazer. Infelizmente, aqui o propósito é apenas e só entreter, objectivo que o filme cumpre com distinção.
Classificação: ★★★½★
21.30 ✦ “Wild Nights, Tamed Beasts“

Wang Tong – 120’ (China) – SR/OE – INTERNATIONAL PREMIÈRE- v.o., leg ingl e port | Bilheteira
Uma idosa morre no hospital e a curadora, a jovem Ye Xiaolin, avisa a família. Logo a seguir é contratada para tratar do pai de Ma Deyong, um tratador de zoo que vive com um leão velho num apartamento inacabado, tudo o que restou da fortuna do pai como construtor. Agora o pai está paralisado e não fala e Deyong descobre quem é a jovem. Uma visão sobre o drama da velhice, a dignidade e a relação com a morte.
Uma excelente interpretação de Rao Xiaozhi no protagonista, actor e realizador, premiado já no Festival de Shanghai em 2023, entre outros, pelo seu papel em “Home Coming”. Este filme obteve o Grande Prémio do Juri do Festival de Shanghai de 2025, onde também actriz Regina Wan venceu na sua categoria. Foi ainda Prémio de Melhor Argumento no First Youth Festival 2025. É a primeira longa-metragem do realizador, também conhecido por Tony Wang, depois da curta “Time to Die” (2015).
Apreciação: A encerrar, o melhor filme do dia e um dos melhores deste Fantasporto 2026. “Wild Nights, Tamed Beasts” é um drama familiar que desemboca num thriller eficaz, competente e apelativo. Tudo aqui está muito bem feito e resulta, desde o ritmo narrativo lento, mas nunca chato (o chamado slow burner), uma fotografia belíssima que faz com que apeteça prolongar cada plano para que o possamos apreciar mais, interpretações seguríssimas que dão dimensão e humanidade às personagens e… um leão.
Tong consegue criar uma obra segura e cativante, que consegue identificar clichés e usá-los a seu favor. É primoroso na execução e esteticamente belíssimo. O único senão é o ‘segundo final’, completamente imprescindível e redundante. Tivesse terminado na última imagem do leão e era uma obra-prima moderna.
Classificação: ★★★★½
4ª FEIRA, 4 de Março
15.00 ✦ “Sisa“

Jun Robles Lana – 118’ (Filipinas) – SR/OE – drama, guerra- v.o., leg ingl e port | Bilheteira
Depois da colonização dos espanhóis, vieram os Americanos para as Filipinas. Entretanto as atrocidades contra a população fazem nascer a revolta. Numa aldeia de mulheres, cujos homens já morreram na guerra, aparece uma mulher enigmática a quem decidem chamar Sisa. As relações com a guarnição americana do lugar parecem pacíficas. E tudo parece encaminhar-se para a luta quando surgem vislumbres de paz. Mas podem os povos oprimidos esquecer a vingança? Com a fabulosa Hilda Koronel no papel principal. O realizador Robles Lana é um conhecido do Fantasporto onde já apresentou “About Us but not About Us” em 2022, e tem já mais de 40 prémios internacionais.
Apreciação: Confesso que, pelo nome, não me lembrava de “About Us but not About Us” de Robles Lana, pelo que antes de começar a escrever esta crítica fui refrescar a memória e lembrei-me imediatamente daquele que foi um dos meus filmes preferidos do Fantas 2022. E faz sentido pelo que tenho a dizer sobre “Sisa”. É um dos filmes com melhor storytelling que vi em muito tempo. Tudo aqui está pensado e executado com o único propósito de contar bem uma boa história. O cinema Filipino tem vindo a crescer na última década com uma sólida representação no Fantasporto, e se precisássemos de uma boa razão para isso, ela está aqui.
A história é excelente, as interpretações são magnificas sem excepção, mas a forma como Robles nos agarra é digna de nota. Todos os contadores de estórias ou de histórias deviam estudar os seus dois filmes que passaram pelo festival do Porto. Bom ritmo narrativo, boa gestão de arcos da narrativa e dos personagens, tudo ilustrado por uma belíssima fotografia focada no storytelling. “Sisa” é uma dos grandes filmes do ano, no Porto ou em qualquer parte do mundo onde passe, e Robles Lana é um dos nomes a ter em conta no panorama cinematográfico mundial.
Classificação: ★★★★★
17.15 ✦ “Don’t Call me Mama“

Nina Knag -106’ (Noruega)- SR – drama, imigração – v.o., leg ingl e port | Bilheteira
Uma professora, a braços com a passada infidelidade do marido, o actual mayor, trabalha com imigrantes e afeiçoa-se a um deles, o jovem Amir. Leva-o para casa para evitar que seja enviado para longe. Em breve, um caso amoroso entre os dois vai esconder verdades e revelar mentiras. Um conto sobre o oportunismo e a compaixão. Uma excelente interpretação da actriz principal deste filme que foi selecção do Festival de Karlovy Vary onde Pia Tjelta venceu o Prémio de Melhor Actriz. Este é a primeira-longa-metragem da realizadora.
Apreciação: Da Noruega chega-nos um sólido drama sobre o adultério entre uma professora casada e um aluno refugiado. Seria fácil o filme resvalar para uma qualquer tese política sobre refugiados, mas Nina Knag consegue manter isso como nota de rodapé e focar-se de forma pragmática no drama humano. E fá-lo com foco, distanciamento e até alguma leveza, duma forma que nos prende àquele triângulo amoroso, quais voyeurs de circunstancia que não sabiam da urgência do seu voyeurismo.
Classificação: ★★★★★
19.30 ✦ “Papa Buka“

Dr. Biju Demodaran – 102´(Papua Nova Guiné/Índia) – SR/OE – drama, ecologia – v.o., leg ingl e port | Bilheteira
Dois indianos. Uma fotógrafa, Romila, e um historiador, Anand, vão descobrir as histórias dos soldados do seu país que morreram na Papua durante a II Guerra Mundial, lutando ao lado dos australianos e dos ingleses. Um deles, o avô de Romila. O seu guia vai ser Papa Buka, um velho sábio, que lhe dá a conhecer a dança, a música, as tribos, a sua biodiversidade, a herança cultural e sobretudo o seu sofrimento numa guerra que não era deles.
Este filme é o candidato aos Óscares pela Papua Nova Guiné, realizado em co-produção com a Índia e da responsabilidade de um dos mais prestigiados realizadores indianos, cuja obra já foi premiada em múltiplos festivais, incluindo o Fantasporto. O realizador foi três vezes vencedor do Prémio Nacional de Cinema da Índia e foi selecionador para os Óscares em 2015. Apresentou o seu primeiro filme, “Saira” em 2007 no Festival de Cannes. Seguiram-se outros filmes que receberam inúmeros galardões por todo o mundo, nomeadamente no Festival de Shanghai, Cannes, Moscovo, Chicago, Tallin e também no Fantasporto com “Painting Life” (2018) que foi Prémio da Crítica.
Com 23 prémios internacionais, é, entre outros, conhecido também por “Birds with Large Wings” (2015), “Sound of Silence” (2017), este vencedor do Festival de Cincinatti, e “Trees Under the Sun” (2019), premiado como Melhor Filme em Toulouse. O seu filme “Invisible Windows” (2022), apresentado já no Fantasporto, precedeu este “Papa Buka” (2025).
Apreciação: “Papa Buka” vem de uma cinematografia que não me lembro de já visto, no Fantas ou fora dele. É portanto uma porta de entrada no cinema da Papua Nova Guiné, num tema que tem relação com o de “Sisa”, povos que são forçados a entrar num conflito que aparentemente não lhes diz respeito, mas que lhes deixam sequelas para o resto da vida.
Mas se em “Sisa” ficamos de barriga cheia, em “Papa Buka” ficamos com a sensação que o assunto foi tratado de forma superficial e que havia mais para explorar ali. Não é que o que aqui está não seja bem executado, mas limitar as sequelas de uma guerra a um grupo restrito de personagens é limitar o tema. Queria mais, sobre as personagens e sobre o envolvimento dos seus familiares na 2ª guerra Mundial (no caso). Tem uma excelente fotografia e boas interpretações, mas o ritmo narrativo poderia ser mais pragmático, até para abordar mais profundamente o tema.
Classificação: ★★★½★
21.30 ✦ “#Iwilltellyouthetruth“

Keisuke Toyoshima – 118’ (Japan) – SR/OE – EUROPEAN PREMIÈRE – reality shows, thriller- v.o., leg ingl e port | Bilheteira
No super popular programa interactivo “Full House Days”, os participantes (“speakers”) são seleccionados à sorte do programa “#iwilltellyouthetruth” e confessam os segredos ocultos em relação a homicídios famosos, recebendo dinheiro pela surpresa causada pela história que contam, e dependendo do grau de espanto da audiência. Mas as histórias estão a ficar cada vez mais sangrentas. O objectivo é chegar ao milhão e meio de participantes. As redes sociais e os efeitos nocivos desta tecnologia. O realizador tem extensa obra na TV e no cinema. Selecção do Festival Bifan (Coreia do Sul).
Apreciação: Ontem falei no que temia no filme japonês da noite, e hoje aconteceu. “#Iwilltellyouthetruth” é daqueles filmes japoneses feito para um público do qual eu claramente não faço parte. E é pena, porque a estória até tem alguns pontos de interesse, mas a sua estética pop pastilha elástica que se mastiga e deita fora, frustra qualquer tentativa de apreciar objectivamente o filme. São demasiados avatares, emojis e caracteres japoneses a inundar a tela, bombardeando-nos, dando a sensação de que estamos perante um ecrã que não é o do cinema.
Classificação: ★½★★★
Que filmes estão a pensar ir ver ao Fantasporto 2026, e qual vos chama mais a atenção?